O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou neste sábado (13), na página 18, artigo do presidente da entidade, Claudio Lamachia.
Um dos deveres intrínsecos das chamadas entidades da sociedade civil organizada é o esforço, individual e em conjunto, por transformações que melhorem as condições de vida do país. É também delas, por exemplo, a responsabilidade de definir ações que resultem na diminuição da insegurança crescente que há tempos vem transformando a vida dos cidadãos numa espécie de sobrevivência diária à violência e à criminalidade que rondam as rotinas gaúcha e brasileira.
A intranquilidade é tamanha, que já podem ser medidas em escala de verdadeira guerra as iniciativas contra os avanços da brutalização e do crime em todos os quadrantes do cotidiano – e a qualquer hora do dia ou da noite, nas cidades ou no campo.
Há pouco menos de dois anos, o Conselho Federal da OAB e suas 27 seccionais em todo o país lançaram o Movimento Brasil Contra a Violência, e, logo a seguir, o colegiado instituiu, juntamente com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Fórum para a Superação da Violência e Promoção da Cultura da Paz.
Já naquela época, os organizadores das campanhas alertavam para a urgente necessidade da implantação de políticas públicas que efetivamente barrem os assustadores índices de criminalidade que tiram o sono e a segurança da população. É peremptório que as autoridades se debrucem com esmero sobre a questão e definam iniciativas que tenham como alvo, dentre outros itens, a estruturação familiar, a educação, a saúde e a redução das brutais desigualdades sociais, verificadas especialmente nas zonas periféricas do país.
Nós, advogados, com a responsabilidade e capacidade postulatória dos direitos da cidadania – incluindo a segurança social – e como protagonistas de um movimento nacional que procura ao menos atenuar o problema da violência e da criminalidade, mantemo-nos em permanente vigilância e mobilização para o combate à intranquilidade.
Esta é uma luta que deve ser de cada cidadão que deseja dias menos violentos para si, seus familiares, amigos, e também para as próximas gerações. É perigoso e inaceitável que o medo gerado pelas manchetes policiais da mídia ou mesmo em descompromissadas conversas cotidianas leve as pessoas a uma espécie de paranoia coletiva, na qual a insegurança perpassa cada atitude do ritmo normal da vida em sociedade. Infelizmente, não estamos longe desta realidade e, por isso, urge que venham logo medidas eficazes contra o embrutecimento de toda uma nação que já se sente totalmente desamparada neste aspecto.
Fonte: OAB/RS